Taresh - Segundo conto da série Kahelium


Leia o conto anterior para entender este.

–Será que ele está bem? – Perguntou uma voz que vinha do meu quarto.
–Não sei. Acho que não aguentou o ataque dos Taresh. – Supôs outra voz, que era de Gava.
– Posso ficar com ele? Lembro-me de bons momentos quando estamos próximos. – Perguntou
a voz, empolgada.
– Não! Ele ficará com Trondira.
Pouco depois, passei a sentir leves batidas no meu rosto, e algo frio foi colocado sobre
a minha testa. Um odor forte se fez na sala. Era uma espécie de gás, colocado como uma
tentativa de me fazer acordar. Queria muito abrir meus olhos, mas eles estavam meio
grudados. Decidi fazer com que percebessem que já estava consciente, portanto decidi falar:


– Gente, eu estou bem. – Falei com a voz fraca – O que... O que aconteceu?
O gás parou. Finalmente pude abrir meus olhos. Na sala, Gava e Lility me observavam
preocupadas.
– Que bom que está bem! – Comemorou Lility – Por um instante pensei que morrera. Nenhum
destroço o atingiu?
– Do que está falando? – Perguntei assustado. Olhei ao meu redor e vi pedaços de vidro e de
explosivos. Entrei em choque. – Oh! Mas como? Como essas coisas vieram parar aqui?
– Houve um ataque contra o Kahelium. Durante esse ataque, você desmaiou e o vidro da sua
janela foi quebrado, fazendo com que alguns explosivos entrassem. No entanto, enquanto
estava desmaiado, conseguimos recolocar o vidro e espantar os Taresh, daqui a pouco iremos
limpar o seu quarto. – Contou Gava.
– Espere! Mas por quanto tempo eu fiquei desmaiado? – Perguntei assustadíssimo, após saber
de tanta coisa que foi feita durante a minha “ausência”.
– Uns trinta minutos mais ou menos. – Respondeu Gava, friamente.
– E eu estou vivo? Como? – Perguntei confuso.
– Fique tranquilo, seu bobo! O gás pressurizado, o mesmo que te mantém no chão, altera
algumas coisas no corpo, dentre elas o tempo de desmaio. – Explicou a quase humana, Lility.
– Hoje você conhecerá melhor todos os tripulantes do Kahelium em uma reunião daqui a
quinze minutos. A porta do seu quarto se abrirá na hora. Antes disso, não poderá sair daqui. –
Avisou a robô.
– Mas por que a porta deve ficar trancada?
– Alguns monstros revoltados podem tentar se abrigar aqui para impedir nossa missão –
Esclareceu Gava.
As duas se retiraram, me deixando sozinho. Esperei a porta se abrir, com um pequeno
estalo. Fui até a mesma sala que nos encontramos anteriormente. Só naquele momento
percebi como a área era grande. As paredes e o chão eram revestidos de Açolástico, como nos
outros cômodos. Naquela sala, havia cerca de dez seres, contando comigo, sendo que seis
eram desconhecidos.
Uma marciana, de nome Uge, era idêntica a uma borboleta da Terra. Tinha asas que
seguiam as cores do arco-íris e as encostava umas nas outras a todo o momento.
Uma jupteriana, Trondira, tinha raízes no lugar dos cabelos, que se movimentavam
constantemente. Ela não tinha narinas e seus olhos ficavam nos lados da cabeça.
Um alienígena de Urano, Uoa, era igual a um louva-a-deus da Terra. A única diferença
era que ele podia dobrar suas patas até para cima.
Olhei para os outros. Vi, de costas, um coelho branco. Fui até ele, para entender o que
fazia ali. Lility me pegou pelo braço e sussurrou:
– Não mexa com ele! É um neptuniano. Engana fácil qualquer pessoa. De início parece fofinho,
mas é capaz de monstruosidades.
Achei a fala de Lility um absurdo, e decidi ir falar com ele e me desculpar por minha
amiga. Ele percebeu minha presença e virou-se rapidamente, provocando em mim profundo
espanto. Pude ver claramente seus olhos vermelhos de raiva e seus dentes pontudos e
assustadores. Olhou fixamente para mim. Saí correndo de medo, e fui observar os outros
alienígenas presentes na sala.
O alienígena de Plutão era exatamente igual a uma laranja da Terra, desde a sua pele
até seu formato. Ele era um anão, assim como seu planeta. Depois descobri seu nome: Shi-a.
Havia outro alienígena, que era mudo. Sua pele era meio transparente, possibilitando a
visão de seus órgãos. Ninguém nunca soube seu nome e nem o seu planeta de origem.
Gava iniciou a reunião:
– Caros tripulantes do Kahelium. Informo que a nossa nave foi atacada pelos Taresh, uma
espécie má e egoísta, que quer colonizar o Novo Sistema Solar sozinha, recusando a ajuda de
qualquer outro ser. Como a nossa nave tem alta tecnologia, conseguimos espantá-los
rapidamente. Mas não é sobre isso que quero conversar. – Falou de forma insignificante –
Chegar ao Novo Sistema Solar não significa viver eternamente. Portanto, deveremos manter a
raça dos colonizadores. Mas para isso, deverá ocorrer uma reprodução entre os seres desta
nave. Deveremos manter a raça pura. A partir de hoje vocês dormirão juntos, para se conhecer
melhor. Apolo ficará com Trondira, – E olhou para a alienígena de cabelos enraizados – Lility
ficará com Quetsa, Shi-a ficará com Linus – Olhou para o coelho – e Uge ficará com Uoa. O
mudo ficará comigo.
Todos estavam chocados. “O que poderia se originar de um relacionamento entre um
humano com uma árvore, uma quase humana com um jacaré, uma laranja com um coelho e
uma borboleta com um louva-a-deus?”

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