Apatia Nebulosa


Era só mais uma manhã nublada de junho, e isso não fazia diferença
para um homem que se sentara no banco da pequena praça que ficava do
outro lado da rua.
Sentei-me em um dos bancos e passei a observá-lo. Parecia ansioso.
Acomodou as mãos sobre os joelhos e mordeu os lábios brutalmente. Agora
parecia irritado.


Estava perdido em pensamentos. Depois não foi mais possível perceber
o que se passava em sua mente.
Na quietude de sua solidão as pessoas conseguem pensar em tantas
coisas ao mesmo tempo, analisar as outras e até mesmo bloquear
pensamentos e sentimentos.
O homem ficou ereto, sua linguagem corporal tornou-se ilegível. Até que,
em certo momento, uma jovem chegou, sentou-se ao seu lado e eles passaram
a conversar.
Ele ainda estava sério, o que provavelmente irritou sua companheira. Ela
se levantou e começou a gritar com ele. Dizia para ter mais respeito para com
ela e que ela já sabia de tudo o que ele fizera. O homem permaneceu
indiferente. Ao ver sua reação, ela deu-lhe uma bofetada, mas, mesmo assim,
ele continuou inerte.
Eles conversaram e ele conseguiu convencê-la a voltar para sua casa,
sob a alegação de que a amava.
Hoje à noite a polícia encontrou, na casa dele, o corpo da moça. A
jovem, de 19 anos, era sua namorada. Fora asfixiada, de modo que as digitais
do assassino estavam presentes no corpo da vítima.
O homem, de apenas 23 anos, foi preso, acusado pela morte da
namorada e de outras seis pessoas, as quais sabiam de algo de seu passado
misterioso e cheio de indiferença.

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